Fala, otakus da Anivex! Se existe um filme que serve como porta de entrada perfeita para o universo das animações japonesas ou como o topo absoluto do pódio para os veteranos da cultura pop, esse filme é A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro...
Fala, otakus da Anivex! Se existe um filme que serve como porta de entrada perfeita para o universo das animações japonesas ou como o topo absoluto do pódio para os veteranos da cultura pop, esse filme é A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi). Lançado em 2001 pelo lendário Studio Ghibli e dirigido pelo mestre Hayao Miyazaki, esta obra-prima não apenas conquistou o Oscar de Melhor Filme de Animação em 2003 — tornando-se o único filme em língua não inglesa e desenhado à mão a alcançar tal feito —, mas também redefiniu o que esperamos da narrativa cinematográfica mundial. Hoje, vamos mergulhar fundo nos corredores da casa de banhos da Yubaba para entender por que essa história continua tão impactante, bonita e essencial mesmo mais de duas décadas após a sua estreia nos cinemas.
A Jornada de Amadurecimento e a Perda da Identidade
No início do longa, conhecemos Chihiro Ogino como uma garota mimada, emburrada e profundamente assustada com a mudança para uma nova cidade. No entanto, ao atravessar o túnel misterioso e entrar no mundo dos espíritos (os Kami), ela se vê forçada a encarar o desconhecido para salvar seus pais, que foram transformados em porcos devido à própria ganância. É nesse ponto de virada que Miyazaki começa a construir um dos arcos de amadurecimento (coming-of-age) mais brilhantes e sutis da história do cinema.
Um dos elementos simbólicos mais centrais dessa transição é a perda do próprio nome. Quando a bruxa Yubaba rouba os caracteres do nome de Chihiro e a renomeia simplesmente como "Sen", temos uma metáfora cristalina sobre a perda da individualidade no mundo adulto e corporativo. Para sobreviver e resgatar sua essência, Chihiro precisa aprender a trabalhar duro na casa de banhos, respeitar os colegas e encarar tarefas repugnantes, mas sem jamais esquecer suas raízes. Essa dualidade entre a infância inocente e as responsabilidades do mundo maduro é a grande engrenagem emocional que move a narrativa.
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Personagens Inesquecíveis e Críticas Sociais Profundas
O universo fantástico criado por Miyazaki não serve apenas como um mero deslumbre visual; cada criatura que habita a casa de banhos carrega uma camada rica de significado sociocultural. A genialidade de A Viagem de Chihiro reside justamente na capacidade de harmonizar o folclore xintoísta tradicional com críticas ferozes à sociedade contemporânea e ao consumo desenfreado. Vamos analisar alguns dos ícones mais marcantes dessa aventura:
- Sem Rosto (Kaonashi): Representa a solidão, o vazio existencial e a facilidade com que o indivíduo é corrompido pelo ambiente. Ele reflete a ganância dos funcionários da casa de banhos oferecendo ouro falso, mas recupera sua docilidade e paz ao lado da pureza desinteressada de Chihiro.
- Haku: O jovem dragão e aprendiz de Yubaba simboliza a perda da conexão com a natureza. Descobrimos mais tarde que ele é o espírito do Rio Kohaku, um corpo d'água real que foi destruído e aterrado para dar lugar a prédios de apartamentos.
- O Espírito do Rio (Poluído): Uma das sequências mais marcantes do filme ocorre quando Chihiro precisa banhar um espírito aparente e terrivelmente nojento. Ao remover uma âncora presa em seu corpo, jorra uma quantidade imensa de lixo humano, revelando um majestoso espírito das águas. É uma crítica ambientalista direta, recorrente na filmografia de Miyazaki como em Princesa Mononoke (1997).
- Yubaba e Zeniba: As irmãs gêmeas representam as duas faces do poder e do estilo de vida. Enquanto Yubaba se cerca de luxo ostensivo, exploração do trabalho e controle obsessivo, Zeniba opta por uma vida simples, artesanal e acolhedora no campo.
Direção de Arte, Trilha Sonora e o Conceito de "Ma"
Falar de A Viagem de Chihiro sem exaltar a execução técnica impecável do Studio Ghibli seria um grande erro. No início dos anos 2000, quando Hollywood migrava em massa para a computação gráfica 3D, Miyazaki defendeu a animação tradicional desenhada quadro a quadro. Isso garantiu ao filme uma qualidade orgânica e atemporal. Cada detalhe, desde o vapor que sai dos banhos quentes até o movimento dos pequenos espíritos de fuligem (os adoráveis Susuwat
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